Posso dizer sinceramente que estou muito grato aos cinemas UCI pela experiência que me proporcionaram há umas horas: uma sala de cinema só para mim, por apenas 2,90 Euros. É possível que o simples mas importante facto de não haver uma única pipoca naquela sala, tenha tido alguma influência, mas o que é um facto é que há muito, mas muito tempo que não gostava tanto de um filme! O realizador, Roland Joffé, é um daqueles tipos de quem não sei muita coisa e que não produz em quantidade. Adorei o "Killing Fields", não gostei particularmente de "A Missão" e não me lembro de ouvir falar mais dele. Quando comprei o bilhete para o "There be Dragons", a única coisa que tinha a certeza era que o filme não gabava qualquer tipo de virtude futebolística de nenhum clube, mas não tinha sequer a noção da abordagem a parte da vida do fundador da opus dei. Sendo eu como sou, ainda bem que não sabia de tal facto, ou poderia não ter ido ver o filme, mas o que me fica na memória é um excelente filme de actores, bem dirigidos, com argumentos técnicos de qualidade (há momentos em que pensei que Madrid tinha sido bombardeada para as filmagens, embora já saiba que as filmagens foram na Argentina) e uma boa dinâmica da história. Mas sobretudo gostei da crueza quase rude, mesmo que óbvia, com que os sentimentos humanos são tratados, com especial destaque para a velha trilogia Culpa/Remorso/perdão... é possível que haja ainda um motivo mais pessoal para a minha experiência: é o primeiro filme "a sério" que vejo no cinema desde que fui pai... e isso faz toda a diferença neste filme que não tem nenhuma obsessão religiosa!
PS - Neste mês de estreias de realizadores que não aparecem muito, aumenta a ansiedade pela nova obra de Mestre Mallick : "A árvore da vida"...

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